terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os sapatos...



Numa das minhas viagens diárias, no metro de Lisboa, com a habitual distracção e sonambulismo que nos caracteriza àquela hora da manhã, fixo o olhar nos sapatos do senhor sentado à minha frente.


De repente desperto para aqueles sapatos gastos de tanto uso, o meu olhar sobe para o rosto cansado, corpo gasto nos seus cerca de setenta anos, e revejo-o neste mesmo percurso ao longo da sua vida!


Presto atenção à conversa, trabalho de uma vida por algum dinheiro que permita ter o pão diariamente na mesa mas que não dá descanso, e férias é coisa que não conhece!


Os filhos com trabalho temporário, todos a viver na mesma casa, os netos que estão a estudar precisam de se vestir, calçar e comer como todas as outras crianças. O homem dizia com ar resignado:
  
- É tudo tão caro...uma vida de sacrifício, vida dura!

Estes pequenitos descobrem, desde muito cedo, uma vida onde as desigualdades são tão grandes!

Aqueles sapatos tão gastos tinham  uma história de trabalho, sacrifício, doação. Aqueles sapatos guardavam a história política de um país! 


Universalista

sábado, 10 de outubro de 2009

Ana Moura





O que foi que aconteceu








Não fui eu







Búzios








Leva-me aos fados

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Obejectivos....objectivos...objectivos...




Nesta filosofia do lucro rápido, onde cabe o ser humano???

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Para a minha neta Catarina


Contos de SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Fadas boas e fadas más


• Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.

As fadas boas regam as flores com orvalho, acendem o lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos, e à noite põem moedas de oiro dentro dos sapatos dos pobres.

As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam dinheiro aos pobres.

Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar.

Quando uma fada má vê uma árvore cheia de folhas, de flores e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.


ORIANA II

Era uma vez uma fada chamada Oriana.

Era uma fada boa e era muito bonita. Vivia livre, alegre e feliz dançando nos campos, nos montes, nos bosques, nos jardins e nas praias.

Um dia a Rainha das Fadas chamou-a e disse-lhe:

- Oriana, vem comigo.

E voaram as duas por cima de planícies, lagos e montanhas. Até que chegaram a um país onde havia uma grande floresta.

- Oriana – disse a Rainha das Fadas – entrego-te esta floresta. Todos os homens, animais e plantas que aqui vivem, de hoje em diante ficam à tua guarda. Tu és a fada desta floresta. Promete-me que nunca a hás-de abandonar.

Oriana disse:

- Prometo.

E daí em diante Oriana ficou a morar na floresta. De noite dormia dentro do tronco dum carvalho. De manhã acordava muito cedo, acordava ainda antes das flores e dos pássaros. O seu relógio era o primeiro raio de Sol. Porque tinha muito que fazer. Na floresta todas precisavam dela. Era ela que prevenia os coelhos e os veados da chegada dos caçadores. Era ela que tomava conta dos onze filhos do moleiro. Era ela que libertava os pássaros que tinham nas ratoeiras.

À noite, quando todos dormiam, Oriana ia para os prados dançar com as outras fadas. Ou então voava sozinha por cima da floresta e, abrindo as suas asas, ficava parada, suspensa no ar entra a terra e o céu. À roda da floresta haviam campos e montanhas adormecidas e cheios de silêncio. Ao longe viam-se as luzes de uma cidade debruçada sobre o rio. De dia e vista de perto a cidade era escura, feia e triste. Mas à noite a cidade brilhava cheia de luzes verdes, roxas, amarelas, azuis, vermelhas e lilases, como se nela houvesse uma festa. Parecia feitas de opalas, de rubis, de brilhantes, de esmeraldas e safiras.






O Peixe

Cá fora a tarde estava maravilhosa e fresca. A brisa dançava com as ervas dos campos. Ouviam-se pássaros a cantar. O ar parecia cheio de poeira de oiro.

Oriana foi pela floresta fora, correndo, dançando e voando, até chegar ao pé do rio. Era um rio pequenino e transparente, quase um regato; nas suas margens cresciam trevos, papoilas e margaridas. Oriana sentou-se entre as ervas e as flores a ver correr a água. De repente ouviu uma voz que a chamava:

- Oriana, Oriana.

A fada voltou-se e viu um peixe a saltar na areia.

- Salva-me, Oriana - gritava o peixe. - Dei um salto atrás de uma mosca e caí fora do rio.

Oriana agarrou no peixe e tornou a pô-lo na água.

- Obrigado, muito obrigado - disse o peixe, fazendo muitas mesuras. - Salvaste-me a vida e a vida de um peixe é uma vida deliciosa. Muito obrigado, Oriana. Se precisares de alguma coisa de mim lembra-te que eu estou sempre às tuas ordens.

- Obrigado - disse Oriana - agora não preciso de nada.

- Mas lembra-te da minha promessa. Nunca esquecerei que te devo a vida. Pede-me tudo o que quiseres. Sem ti eu morreria miseravelmente asfixiado entre os trevos e as margaridas.

A minha gratidão é eterna.

- Obrigado - disse a fada.

- Boa tarde, Oriana. Agora tenho de ir embora, mas quando quiseres vem ao rio e chama por mim.

E com muitas mesuras o peixe despediu-se da fada.

Oriana ficou a olhar para o peixe, muito divertida porque era um peixe muito pequenino, mas com um ar muito importante.

E quando assim estava a olhar para o peixe viu a sua cara reflectida na água. O reflexo subiu do do fundo do regato e veio ao seu encontro com um sorriso na boca encarnada. E Oriana viu os seus olhos azuis como safiras, os seus cabelos loiros como as searas, a sua pele branca como lírios e as suas asas cor do ar, claras e brilhantes.

- Mas que bonita que eu sou - disse ela. Sou linda. Nunca tinha pensado nisto. Nunca me tinha lembrado de me ver! Que grandes são os meus olhos, que fino que é o meu nariz, que doirados que são os meus cabelos! Os meus olhos brilham como estrelas azuis, o meu pescoço é alto e fino como uma torre. Que esquisita que a vida é! Se não fosse este peixe que saltou para fora da água para apanhar a mosca eu nunca me teria visto. As árvores, os animais e as flores viam-me e sabiam como sou bonita. Só eu é que nunca me via!








sábado, 3 de outubro de 2009

"Batuque ao longe"




Do fundo da noite
a mesma toada batendo.
(É noite de medo?)

A mesma toada por sobre os telhados,
trazendo mensagens que tombam desfeitas.

(Coladas aos vidros
há vozes de greda).

A mesma toada roçando na porta,
batendo.

Por sobre as ramadas, calcando o capim,
em volta da serra, caindo do espaço,
em ecos de outrora por todos os lados.


Gloria de Sant'anna

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Os Amigos nunca se esquecem"

 Uma história verdadeira de um Amor verdadeiro!