Hiperrealismo de Paul Cadden
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Retrato de Mulher
Triste Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.
Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.
Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.
Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)'
"O Espelho" - Machado de Assis
"Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...
- Duas?
- Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro(...)." (p. 346).
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Poema de Bertold Brecht (1898-1956)
"Primeiro levaram os negros,
mas não me importei com isso,
eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
mas não me importei com isso,
eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis,
mas não me importei com isso,
porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados,
mas como tenho o meu emprego,
também não me importei.
Agora estão a levar-me,
mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
ninguém se importa comigo."
sábado, 21 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Excerto do livro "Nobreza de Espírito-Um Ideal Esquecido" de Rob Riemen uma leitura a não perder
"Baruch de Espinosa tem 24 anos quando abandona o meio mercantil em que foi criado para dedicar o resto da sua vida à demanda da verdade e à meta de uma vida vivida com verdade. Porquê? No Tratado da Reforma do Entendimento - um tratado curto, inacabado que pode ser lido como um estudo preliminar para a sua Ética - explica essa escolha: a experiência ensinou-lhe que quase tudo na vida é vão e trivial. Inevitavelmente, levanta-se a questão de saber se não existe alguma verdade e duradouro bem ao alcance dos seres humanos, de modo que possam viver vidas boas e verdadeiras. O jovem está completamente ciente de que este género de vida significa um corte radical com uma sociedade em que cada um é guiado pela sede de «riqueza,honrarias e prazer sensual». Todavia, já reparou que esses desejos nunca podem trazer felicidade e paz de espírito para sempre. Mais ainda, teve já a experiência de que mesmo um pensamento focado, a tentativa de entender o que são a verdade e a maneira correcta de viver - ainda que de modo efémero- lhe trazem a calma e a alegria que procura. Esta experiência quase física, tão simples como essencial, fornece a Espinosa duas revelações que determinam o resto da sua vida.
A mente é o maior dom da humanidade. Pensando por si, qualquer pessoa pode familiarizar-se com o que é verdadeira e duradouramente bom e viver em conformidade. A melhor vida é desse modo inteiramente dedicada ao pensamento, ao amor da sabedoria. Numa carta a um amigo, Espinosa confessa: «Que cada um viva de acordo com as suas inclinações pessoais tanto quanto eu posso viver para a verdade». Ao mesmo tempo, compreende que a verdade e a liberdade estão sempre entrelaçadas. Quem não for livre não pode viver com verdade."
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