Nesta filosofia do lucro rápido, onde cabe o ser humano???
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Para a minha neta Catarina
Contos de SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
Fadas boas e fadas más
• Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.
As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam dinheiro aos pobres.
Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar.
Quando uma fada má vê uma árvore cheia de folhas, de flores e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.
ORIANA II
Era uma vez uma fada chamada Oriana.
Era uma fada boa e era muito bonita. Vivia livre, alegre e feliz dançando nos campos, nos montes, nos bosques, nos jardins e nas praias.
Um dia a Rainha das Fadas chamou-a e disse-lhe:
- Oriana, vem comigo.
E voaram as duas por cima de planícies, lagos e montanhas. Até que chegaram a um país onde havia uma grande floresta.
- Oriana – disse a Rainha das Fadas – entrego-te esta floresta. Todos os homens, animais e plantas que aqui vivem, de hoje em diante ficam à tua guarda. Tu és a fada desta floresta. Promete-me que nunca a hás-de abandonar.
Oriana disse:
- Prometo.
E daí em diante Oriana ficou a morar na floresta. De noite dormia dentro do tronco dum carvalho. De manhã acordava muito cedo, acordava ainda antes das flores e dos pássaros. O seu relógio era o primeiro raio de Sol. Porque tinha muito que fazer. Na floresta todas precisavam dela. Era ela que prevenia os coelhos e os veados da chegada dos caçadores. Era ela que tomava conta dos onze filhos do moleiro. Era ela que libertava os pássaros que tinham nas ratoeiras.
À noite, quando todos dormiam, Oriana ia para os prados dançar com as outras fadas. Ou então voava sozinha por cima da floresta e, abrindo as suas asas, ficava parada, suspensa no ar entra a terra e o céu. À roda da floresta haviam campos e montanhas adormecidas e cheios de silêncio. Ao longe viam-se as luzes de uma cidade debruçada sobre o rio. De dia e vista de perto a cidade era escura, feia e triste. Mas à noite a cidade brilhava cheia de luzes verdes, roxas, amarelas, azuis, vermelhas e lilases, como se nela houvesse uma festa. Parecia feitas de opalas, de rubis, de brilhantes, de esmeraldas e safiras.
O Peixe
Cá fora a tarde estava maravilhosa e fresca. A brisa dançava com as ervas dos campos. Ouviam-se pássaros a cantar. O ar parecia cheio de poeira de oiro.
Oriana foi pela floresta fora, correndo, dançando e voando, até chegar ao pé do rio. Era um rio pequenino e transparente, quase um regato; nas suas margens cresciam trevos, papoilas e margaridas. Oriana sentou-se entre as ervas e as flores a ver correr a água. De repente ouviu uma voz que a chamava:
- Oriana, Oriana.
A fada voltou-se e viu um peixe a saltar na areia.
- Salva-me, Oriana - gritava o peixe. - Dei um salto atrás de uma mosca e caí fora do rio.
Oriana agarrou no peixe e tornou a pô-lo na água.
- Obrigado, muito obrigado - disse o peixe, fazendo muitas mesuras. - Salvaste-me a vida e a vida de um peixe é uma vida deliciosa. Muito obrigado, Oriana. Se precisares de alguma coisa de mim lembra-te que eu estou sempre às tuas ordens.
- Obrigado - disse Oriana - agora não preciso de nada.
- Mas lembra-te da minha promessa. Nunca esquecerei que te devo a vida. Pede-me tudo o que quiseres. Sem ti eu morreria miseravelmente asfixiado entre os trevos e as margaridas.
A minha gratidão é eterna.
- Obrigado - disse a fada.
- Boa tarde, Oriana. Agora tenho de ir embora, mas quando quiseres vem ao rio e chama por mim.
E com muitas mesuras o peixe despediu-se da fada.
Oriana ficou a olhar para o peixe, muito divertida porque era um peixe muito pequenino, mas com um ar muito importante.
E quando assim estava a olhar para o peixe viu a sua cara reflectida na água. O reflexo subiu do do fundo do regato e veio ao seu encontro com um sorriso na boca encarnada. E Oriana viu os seus olhos azuis como safiras, os seus cabelos loiros como as searas, a sua pele branca como lírios e as suas asas cor do ar, claras e brilhantes.
- Mas que bonita que eu sou - disse ela. Sou linda. Nunca tinha pensado nisto. Nunca me tinha lembrado de me ver! Que grandes são os meus olhos, que fino que é o meu nariz, que doirados que são os meus cabelos! Os meus olhos brilham como estrelas azuis, o meu pescoço é alto e fino como uma torre. Que esquisita que a vida é! Se não fosse este peixe que saltou para fora da água para apanhar a mosca eu nunca me teria visto. As árvores, os animais e as flores viam-me e sabiam como sou bonita. Só eu é que nunca me via!
sábado, 3 de outubro de 2009
"Batuque ao longe"
Do fundo da noite
a mesma toada batendo.
(É noite de medo?)
A mesma toada por sobre os telhados,
trazendo mensagens que tombam desfeitas.
(Coladas aos vidros
há vozes de greda).
A mesma toada roçando na porta,
batendo.
Por sobre as ramadas, calcando o capim,
em volta da serra, caindo do espaço,
em ecos de outrora por todos os lados.
Gloria de Sant'anna
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
"Mais do mesmo" por Vasco Graça Moura no Diário de Notícias
"O povo português acaba de demonstrar a sua fatal propensão para viver num mundo às avessas. Não há nada a fazer senão respeitá-la. Mas nenhum respeito do quadro legal, institucional e político me impede de considerar absolutamente vergonhosa e delirante a opção que o eleitorado acaba de tomar e ainda menos me impede de falar dos resultados com o mais total desprezo.
Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.
Não se diga que tomo assim uma atitude de mau perdedor, ou que há falta de fair play da minha parte. É timbre das boas maneiras felicitar o vencedor, mas aqui eu encontro-me perante um conflito de deveres: esse, das felicitações na hora do acontecimento, que é um dever de cortesia, e o de dizer o que penso numa situação como aquela que atravessamos, que é um dever de cidadania.
Opto pelo segundo. Por isso, quando profiro estas e outras afirmações, faço-o obedecendo ao imperativo cívico e político de denunciar também neste momento uma situação de catástrofe agravada que vai continuar a fazer-nos resvalar para um abismo irrecuperável.
Entendo que o Governo que sair destes resultados não pode ter tréguas e tenciono combatê-lo em tudo quanto puder. Sabe-se de antemão que o próximo Governo não vai prestar para nada!
É de prever que, dentro de pouco tempo, sejamos arrastados para uma situação de miséria nacional irreversível, repito, de miséria nacional irreversível, e por isso deve ser desde já responsabilizado um eleitorado que, de qualquer maneira, há--de levar a sua impudência e a sua amorfia ao ponto de recomeçar com a mais séria conflitualidade social dentro de muito pouco tempo em relação a esta mesma gente inepta a quem deu a maioria.
O voto nas legislativas revelou-se acomodatício e complacente com o status quo. Talvez por se tratar, na sua grande maioria, de um voto de dependentes directos ou indirectos do Estado, da expressão de criaturas invertebradas que não querem nenhuma espécie de mudança da vidinha que levam e que se estão marimbando para o futuro e para as hipotecas que as hostes socialistas têm vindo a agendar ao longo do tempo. O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço.
Mas as empresas continuarão a falir, os desempregados continuarão a aumentar, os jovens continuarão sem ter um rumo profissional para a sua vida. Pelos vistos a maioria não só gosta disso, como embarcou nas manipulações grosseiras, nas publicidades enganosas, nas aldrabices mediáticas, na venda das ilusões mais fraudulentamente vazias de conteúdo.
A vitória foi dada à força política que governou pior, ao elenco de responsáveis que mais incompetentemente contribuiu para o agravamento da crise e para o esboroar da sustentabilidade, ao clube de luminárias pacóvias que não soube prevenir o desemprego, nem resolver os problemas do trabalho, nem os da educação, nem os da justiça, nem os da segurança, nem os do mundo rural, nem nenhuma das demais questões relevantes e relativas a todos os aspectos políticos, sociais, culturais, económicos e cívicos de que se faz a vida de um país.
Este prémio dado à incompetência mais clamorosa vai ter consequências desastrosas. A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.
O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.
A partir de agora, só haverá mais do mesmo. Com os socialistas no Governo, Portugal não sairá da cepa torta nos próximos anos, ir-se-á afundando cada vez mais no pântano dos falhanços, das negociatas e dos conluios, e dentro de pouco tempo nem sequer será digno de ser independente. Sejam muito felizes."
- É, temos memória curta...
Encerramentos ilegais...
Este ano já foram feitas 70 participações criminais referentes a actividades irregulares de empresas, 45 das quais por encerramento ilegal no âmbito da crise, disse hoje o inspector-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).
"No âmbito da crise empresarial acompanhámos desde Janeiro até 15 de Setembro de 2009, 1439 empresas, e neste domínio levantámos 523 autos-de-notícia, infracções que detectámos em incumprimento de formalidades nos despedimentos colectivos ou outras situações de lay-off", adiantou o inspector-geral da ACT, Paulo Morgado de Carvalho. À margem de uma sessão pública sobre planos de contingência para a Gripe A nas empresas, organizada pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), que hoje decorreu em Lisboa, o responsável máximo da ACT disse que mais de metade das participações criminais feitas este ano pela ACT - 45 de um total de 70 - tiveram origem em encerramentos ilegais de empresas, e que estão agora a ser investigadas pelo Ministério Público.
"No ano passado efectuámos 59 participações criminais, só 13 diziam respeito à crise empresarial. Temos muito mais participações neste ano. Isso não quer dizer que haja um volume acrescido nos últimos tempos, o que acontece é que os procedimentos começaram, o acompanhamento iniciou-se e há todo um desenvolvimento que é um corolário das diligências feitas pelos inspectores", sublinhou Paulo Morgado de Carvalho
domingo, 27 de setembro de 2009
Eleições
E o dia seguinte?
Pois muito bem, as campanhas eleitorais terminaram, acabaram os beijinhos e as palavras doces e agora? Quem ganha? E ganhando volta tudo ao mesmo e as promessas arrumam-se muito bem no fundo da gaveta para servirem para as próximas campanhas? Queremos mais, muito mais e bem feito!
Achamos todos que o investimento quer de empresários quer do governo tem de ser feito pois gera emprego e é isso que nós precisamos! Basta de pensarmos só em projectos gigantescos como o TGV e aeroporto (que são muito vistosos de facto, mas serão assim tão urgentes?) que proporcionam empregos mas por pouco tempo, nós precisamos de empresas pequenas, médias, tanto faz, queremos é emprego que acabe com o trabalho precário e de semi-escravatura como o que tem vindo a aumentar nos últimos anos! Invistam, mas façam-no bem! Queremos empregos dignos, queremos formação profissional (não aquela para inglês ver) mas formação que nos dê realmente ferramentas para um trabalho qualificado e nos proporcione salários em conformidade com as aptidões adquiridas!
Empenhem-se, enquanto governo de todos os portugueses como gostam de sublinhar, na dignificação da pessoa humana!
Queremos famílias felizes onde não falte o trabalho e o pão!
Queremos uma aposta forte na educação e não é só aquela que os livros ensinam, mas numa mais humanista que prepare os nossos jovens para um futuro onde caibam os números mas também o respeito pela pessoa humana! Ginásios onde para além do desporto lhes ensinem Yoga, meditação e solidariedade, acabem com incentivos à competição desenfreada! O respeito pelo coleguinha do lado que não corre tanto, dar-lhe a mão se for necessário!
Nos casos de negligência, abandono, maus-tratos físicos, carência sócio-económica, em que as crianças são entregues a famílias de acolhimento queremos que as crianças e a sua vontade seja respeitada nos tribunais (a Convenção dos Direitos Universais é para ser aplicada não é para estar só no papel) que Portugal assuma sem medo a responsabilidade de intervir em casos mal resolvidos de entrega de crianças a quem não as ama e respeita. Que a adopção seja incentivada e mais célere. Que fazem tantas crianças em Instituições? Publicitem para que a sociedade adormecida acorde e aja, dêem-lhes incentivos em termos de redução de preços em infantários por exemplo.
Apostem nas crianças, vão ser os governantes e os empresários de amanhã, querem um mundo melhor? Então apostem nelas, mas apostem bem… não se percam com futilidades apenas para alimentarem o ego, como as grandes obras que não educam nem enchem a barriga aos milhares de desempregados! Apostem nas crianças, na sua boa formação para que venham a ser cidadãos de sucesso mas onde haja sempre espaço para um coração gigantesco!
Queremos acima de tudo que apliquem bem os nossos impostos, os vossos filhos e netos também vão fazer parte desse mundo que todos queremos melhor!
Governem, mas façam-no bem!
Governem, mas façam-no bem!
Universalista
sábado, 26 de setembro de 2009
Notícias do Brasil...e do mundo!
Direito à cidade - 24/08/2009
* Padre Alfredo J. Gonçalves, CS
Quem são os habitantes da chamada cracolândia? Pela idade, eles são crianças e adolescentes. Na realidade, porém, passaram da infância à vida adulta de forma abrupta e não raro traumática. Grande parte rompeu com a própria família pelos motivos mais diversos e terminaram definitivamente na rua. Não poucos tem na origem pais migrantes de outros estados do território nacional.
Sós e perdidos, eles foram se juntando, um com o outro, estes com um novo grupo, e assim por diante. Aos poucos, formaram pequenos bandos e ocupando a região central da cidade de São Paulo, nas imediações da antiga rodoviária. Escorraçados de um lado para o outro, aves feridas e errantes, acabaram se ocultando nesses lugares sórdidos e escuros da cidade mais populosa do país.
A rua é selvagem, cruel, tem suas exigências. Requer malabarismos sutis e sutis estratégias de sobrevivência. A comida, a roupa, o cobertor, o lugar para dormir ou para fazer as necessidades básicas. Requer também exercer a mendicância por migalhas de afeto, como um cão ou algum transeunte solitário. Violência e solidariedade se mesclam. Mas a rua requer, ainda, manter vivos sonhos e esperanças, o sentido da própria existência, enfim a vida.
Aí entra o cigarro, o álcool, a droga e principalmente o crack. É dura a luta diária pela droga salvadora. A “muamba” é cara e nesse comércio clandestino dívida é paga com a morte. Por trás disso, há a manipulação de adultos experimentados no mundo do tráfico, há o crime organizado.
Hoje as autoridades pretendem acabar com a cracolândia. A proposta faz parte do processo de revitalização do centro, o que inclui a “limpeza” da área. Os meninos e meninas de rua converteram-se em lixo a ser removido. São obrigados a partir para as ruas adjacentes, de onde são novamente banidos com água, pedras, palavrões, pontapés, etc.A grande metrópole, negando-lhes uma cidadania digna e justa, se tornou refém de suas crianças e adolescentes.
O mesmo se poderia dizer dos imigrantes indocumentados, vindos dos países limítrofes. Em ambos os casos, o poder público pretende apagar o fogo soprando na fumaça. A cracolândia e as oficinas de costura clandestina, por exemplo, fazem parte do efeito, não da causa. Os meninos e meninas abandonados, como também os imigrantes irregulares, são o resultado de uma exclusão sócio-econômica muito mais ampla, profunda e complexa. Enquanto uns são filho de pais e mães igualmente abandonados, outros partiram de sua terras de origem como gente expatriada.
Além de trabalho, saúde, moradia, segurança e transporte para os pais, onde estão as escolas de boa qualidade para os filhos? Onde estão as áreas de lazer para as crianças e adolescentes se encontrarem e exercitarem suas energias e aptidões? Onde está o incentivo ao esporte, à música, à dança, ao balé. Por que a Lei dos Estrangeiros segue tão rígida e excludente? Onde está a famosa acolhida brasileira?
E com mais veemência cabe perguntar pela responsabilidade da família, da escola e das igrejas.Na igreja católica por exemplo, que projetos são desenvolvidos junto a essa população tão carente e vulnerável de São Paulo? Por mais que sejam obras necessárias, não basta a Casa do Migrante, a Pastoral dos Migrantes ou o Orfanato Cristóvão Colombo! Toda a Igreja e toda a Sociedade são responsáveis pelas crianças e pelos estrangeiros.
*Pároco de São Paulo.
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